sexta-feira, 6 de julho de 2018

Globo, como sempre, uma contradição


Emissora dos Marinhos se gaba de ganhar medalhas em ações de marketing sobre inclusão social, mas merece cartão vermelho por não cumprir legislação com o mesmo tema

Sentir orgulho de quê?

A globo acaba de ganhar 6 medalhas de ouro no Promax BDA Global - uma espécie de “Oscar”, que premia as melhores ações nas áreas de design e marketing promocionais na TV e no rádio pelo mundo. A globo foi premiada pela campanha "movido a respeito" sobre a inclusão de pessoas com deficiência.

Mas logo a "nossa Globo"? Afinal, não "somos todos uma só Globo" que responde a um inquérito civil no Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro, IC 004014.2010.01.000-4, exatamente por não cumprir a cota de deficientes, lei federal 8213/91, que obriga toda empresa (instalada no Brasil com mais de 500 trabalhadores) a preencher 5% do quadro de funcionários com pessoas deficientes ou reabilitadas; que demite trabalhadores com câncer, que mutila e deforma vários de seus funcionários; que se nega a emitir a comunicação de acidente de trabalho aos seus funcionários acidentados e, logo em seguida os demite; que suspende o contrato de trabalho, deixando de pagar salários (e outros benefícios) a seus funcionários em estado terminal, afastados por problemas de saúde, submetendo suas famílias a viver com privações e necessidades básicas; que não cumpre a função social com seus próprios trabalhadores?

A "nossa Globo" que, nos últimos anos, viu o seu faturamento aumentar em mais de 50%, mas concedeu reajustes abaixo da inflação para jornalistas e radialistas e que, na hora de negociar
com os mesmos, é sempre intransigente e dura, oferecendo correção salarial abaixo da inflação tentando, a todo custo, cortar todos os benefícios de seus funcionários? Logo a "nossa Globo", que pratica essas e outras irregularidades, foi premiada com 6 medalhas de ouro?

Sim! E, segundo a "nossa empresa", o ouro é nosso também. Afinal, somos todos uma só Globo e, por isso, devemos comemorar mais essa conquista, que coloca a empresa entre uma das maiores marcas de entretenimento do mundo, agregando valor à marca Globo. Isso também aumenta seu valor de mercado, que hoje é estimado em 3 bilhões de reais.
É, companheiros e companheiras, isso prova mais uma vez que, no Brasil, o crime compensa!

Sem bolsas, sem benefícios

Outra notícia que circulou e que, segundo a nossa empresa deve nos encher de orgulho, é a de que o Grupo Globo está entre as empresas mais desejadas para se trabalhar. Em pesquisa realizada pela DMRH e Cia de talentos - consultorias na área de recursos humanos - foram ouvidas mais de 80 mil pessoas em todo o Brasil (é claro, talvez, nenhuma dessas 80 mil pessoas ouvidas deva trabalhar na Globo). A nossa empresa ficou em 7º lugar pelos profissionais de alta liderança (nesse caso foram ouvidos 4 mil executivos).

Essa notícia nos causa estranheza pois uma empresa que não paga salários acima da média, que não oferece bolsas de estudo a seus funcionários (no ano passado houve apenas uma bolsa de estudo para São Paulo na área de tecnologia), que não oferece nenhum outro benefício que seja atrativo, além dos básicos, que não tem um plano de carreira claro e definido, que prefere trazer profissionais de fora , segundo nossos gestores (profissionais sem vícios em televisão, como se o negócio da globo fosse "fabricar parafusos"). Uma empresa que não valoriza o esforço de seus funcionários, os quais gastam quase todo o seu salário para pagar faculdades e cursos. Isso quando veem as vagas que seriam para promove-los e premiar o seus empenho e dedicação serem preenchidas por outras pessoas vindo de fora da empresa (amigos e/ou filhos de amigos de diretores, gerentes e supervisores). Uma empresa onde chefes assediadores e racistas são transferidos (e não punidos), passando a receber promoções e os trabalhadores que os denunciaram, por sua vez, são demitidos. Que não busca diminuir as desigualdades de raça e gênero. Ou seja, temos pouquíssimas mulheres e quase nenhum negro em cargos de chefia, mas, segundo o RH, os negros estão bem representados dentro do grupo globo. Lázaro Ramos, Thaís Araújo, Maria Júlia Coutinho e Heraldo Pereira representam fidedignamente os 54% da população brasileira que se auto declara negra no brasil e os mais de 20 mil funcionários do Grupo Globo.

Se “nossa Globo” foi eleita uma das melhores empresas pra se trabalhar no Brasil, imaginemos as piores, como serão? Lembram-se do título dessa resenha: sentir orgulho do que, mesmo?

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