Por Ronaldo Werneck
O Sindicato dos Radialistas vem recebendo denúncias de que algumas empresas no interior do Estado se recusaram a fazer o pagamento do abono salarial. As desculpas são as mais esfarrapadas, como sempre. Dizem que não sabiam, que não receberam nenhuma comunicação do sindicato patronal ou ainda que o acordo coletivo ainda não foi assinado. Nem uma coisa nem outra.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
Decisão esperada do Dissídio 2012
Por Ronaldo Werneck
Vejo com preocupação as manifestações dos companheiros em nosso noticiador. Nele, onde a matéria é sobre a decisão judicial, que deve sair no dia 22, diversos trabalhadores "rogam aos céus", creditam em suas divindades, algo que infelizmente depende de terceiros para atingir nossos objetivos. Como se apenas isso fosse suficiente para termos aquilo que nos é de direito, mas nos é negado.
Vamos então partir para o campo "e se...". E se a decisão não for favorável a nós?! Vamos apenas nos lamuriar porque a juíza não entendeu nossas necessidades e anseios? E se o patronal recorrer? Vamos continuar alimentando essa nossa esperança maldita, que nos deixa inertes e não nos mobilizamos para conquistar oq nos é devido?
No passado nossos colegas lutaram heroicamente a ponto de garantir, as gerações futuras, o que estamos gozando (lei do Radialista, diversas cláusulas da convenção coletiva acima da CLT, etc.). Foram diversas conquistas em nossa convenção coletiva. Elas foram frutos de muita luta como greves, paralisações, protestos e organização frente ao nosso patronal sempre insensível.
Companheirada, isso já foi dito e voltamos a repetir, pra conseguirmos o que queremos, temos de nos mobilizar. Se essa decisão judicial for insuficiente, para aquilo que esperamos tanto, está na hora de revermos esse posicionamento de esperar as coisas acontecerem. Vai ficar valendo o refrão daquela música do Geraldo Vandre (Pra não dizer que não falei das flores); "Vem vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer".
O julgamento irá acontecer no dia 22/05/2013 (quarta feira), a partir das 13h30, no TRT SP Segunda Região. Que fica na Rua Consolação n. 1272, na Capital Paulista. É aberto para quem quiser assistir.
segunda-feira, 11 de março de 2013
Aprovado pauta de reivindicações dos radialistas de São Paulo
Por Ronaldo Werneck
No último sábado, dia 09 de março, dezenas de radialistas do Estado de São Paulo se reuniram em assembleia para aprovação da pauta de reivindicações da campanha salarial deste ano. Além da pauta, a diretoria apresentou sua prestação de contas da entidade. Os recursos angariados através da contribuição associativa e a do imposto sindical, foi debatida e também explicada aos presentes, pois muitos não sabem a diferença. A contribuição associativa é aquela feita pelos sócios da entidade, descontada todo mês. Já o Imposto sindical, como o próprio nome diz, é compulsório. Descontado um dia de trabalho de todos os trabalhadores do Brasil. Parte dos recursos que são descontados, vai para o sindicato, através de sua federação (FITERT) e também para o Sindicato. Este último, por sua vez, no caso dos radialistas, devolvem aos sócios na condição do não desconto da mensalidade. É uma forma de devolver algo que acreditamos não ser justo, já que acreditamos que os trabalhadores devem ter consciência de sua contribuição a sua entidade de classe.
Esperamos que este ano a categoria se mobilize. Atenda ao chamado da diretoria, para se mobilizar e enfrentarmos o descaso dos patrões em relação a nossa força de trabalho. Somente assim podemos impedir que se repita o que aconteceu no ano passado. Por conta da imobilização da categoria, em assembleia, os radialistas enviaram para a justiça decidir algo que nós mesmo deveríamos fazer. O resultado disso é que nosso dissídio, até o momento ainda não foi julgado. Não é prioridade no TRT. Se quisermos que nossas reivindicações sejam prioridade para o patrão, temos de nos mexer.
Vamos a luta companheirada!
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Ano novo, novas lutas com velhos problemas. O TRT ainda não julgou nosso dissídio, muito menos nossos problemas irão diminuir neste ano que se inicia. O fato é que apesar de todo e qualquer problema, sabemos que a solução passa por nós. Nossa organização é imprescindível na luta que deveremos travar. Por isso, no início de março, deveremos ter nossa assembleia de abertura da Campanha Salarial. É com ela que levamos nossas reivindicações para o patronato atender. Que, diga-se de passagem, só atenderá se estivermos mobilizados.
Outras categorias saíram na frente, conquistando índices com aumento real. Estamos há anos só recebendo reajustes e, neste último ano, os patrões, além de só oferecerem isso, queriam retirar direitos. Coisa que essa diretoria não irá concordar. Decisão em assembleia deliberou que fosse enviado parta dissídio, por isso não adianta reclamar quem não veio na assembleia, para votar e decidir o que fazer em relação a proposta patronal. Os presente entenderam que a perda seria maior com a assinatura do acordo, nos molde que os patrões nos enviaram. Por isso, para não repetir o resultado do ano passado, mobilização é necessário.
A categoria precisa se movimentar, estamos atentos e dispostos a implementar uma luta que levará a vitória, sempre. Basta os trabalhadores decidirem por isso.
Feliz começo de ano a todos!
quinta-feira, 6 de dezembro de 2012
Patrão bonzinho: não existe.
Tem gente que acredita na bondade do patrão.
O ano está terminando e a exploração nas emissoras de rádio não termina. Algumas chegam a atrasar o 13º salário. Mas pior do que isso são alguns trabalhadores esperando a solução chegar. Já dissemos que a solução parte dos próprios trabalhadores. Não só para o pagamento do décimo terceiro salário, mas de todo e qualquer problema que encontramos nas emissoras. Não podemos nos acostumar que alguém resolva nosso problema. Mas aí vem a pergunta; e o sindicato?! O sindicato é apenas um instrumento de luta companheirada. A entidade está e estará sempre a disposição para lutar, fazer cumprir a Lei, mas junto com a categoria. Isso não quer dizer que ficaremos esperando, parados. Depois das denúncias as fiscalizações devem acontecer. Falamos das denúncias companheiros... O mais absurdo é que as vezes sabemos delas por terceiros e não por quem está vivenciando elas.
Não é segredo, o sindicato pode agir, mas quanto mais detalhes sabemos das irregularidades melhor. Fica mais fácil e objetivo mudarmos essa situação. Se vc ficar sabendo de alguma irregularidade em qualquer emissora, nos ajude a mudar isso. Sem a categoria pra nos dar suporte, temos imensa dificuldade de fazer conquistar os nossos direitos. Haja visto nossa convenção, que foi para dissídio.
Sem mobilização, patrão nenhum vai se mexer pra nos dar o aumento de salário e outros benefícios.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Islândia: uma lição de democracia à Europa "austera" - 2
Reykjavik, a capital mais ao norte do mundo, é uma cidade peculiar (Foto: RBA)
Por Flávio Aguiar via Rede Brasil Atual
Tanto quanto meu islandês fluente (!) disfarçado de inglês podia permitir, saí à rua para buscar informações.
Reykjavik – a capital mais sententrional do mundo – é uma cidade peculiar.
Com mais de 200 vulcões potencialmente ativos e com um número enorme de geiseres, a Islândia pode se dar ao luxo de ter água quente (ainda que com cheiro sulfuroso) canalizada diretamente das ruas para as casas. No centro, algumas das ruas têm encanamento subterrâneo que aquecem as calçadas. No centro administrativo, onde estão o Parlamento e a prefeitura, um enorme lago acolhe uma infinidade de pássaros aquáticos: marrecos, gansos, gaivotas e outros para mim desconhecidos. Pois em certas partes do lago a canalização joga água quente - necessária já nesta época do ano, final de outubro (equivalente no hemisfério sul a final de abril), porque uma boa parte da superfície já está congelada.
O número de automóveis é impressionante. Comentários falam em dois carros por habitante. Talvez seja um exagero, mas o desfile de automóveis no pequeno mas agitado centro da capital é impressionante.
Um dos efeitos da crise que devastou a Islândia e do seu reerguimento posterior foi a mudança da paisagem comercial no centro. Despareceram lojas tradicionais de roupas (muito bonitas e ainda muito caras), por exemplo, dando lugar a lojas para turistas – muitas vezes com os mesmos donos das anteriores.
A crise de 2008 provocou uma desvalorização brutal da krona - coroa - islandesa. Isso ajudou a catapultar a dívida pública do país de 27 % em 2007 para os quase 130% do PIB em 2011. Em compensação baixou os custos para os turistas, que passaram a viajar cada vez mais - e a gastar cada vez mais - aqui.
Outro efeito curioso da crise foi incentivar o gasto interno. Parece, pelo que conversei com alguns comerciantes no mercado de comidas, roupas, cds, quinquilharias, antiguidades, etc., sobretudo etc., que abre nos fins de semana, que os islandeses, em média, não são muito de poupar (como são os alemães, por exermplo, para quem poupar é uma questão de identidade ou de ética nacional).
Com a crise e a desvalorização da krona, viajar para fora ficou complicado. Então o nível de gasto interno - ainda mais depois da volta da recuperação econômica - aumentou. Um dos comerciantes daquele mercado me confiou que 2010 - ano em que o desemprego, hoje em 6%, chegou a 10% da população economicamente ativa - foi um dos seus melhores anos. E ele não vende coisas de primeira necessidade, mas sim roupas de corte militar, objetos do antigo leste europeu (as quinquilharias do comunismo), coisas assim.
Apesar da rápida recuperação econômica do país, ainda paira um certo ar de receio no ar. A crise deixou muita gente escaldada - neste país de gelo, onde 15 graus positivos é motivo para as pessoas irem se deitar com pouca roupa nas praças. Antes da crise, parece que as pessoas viviam num "mundo à parte", onde os desastres econômicos mundiais jamais chegariam. A Islândia era, literalmente, uma "ilha de prosperidade". Choviam capitais internacionais - sobretudo dos Estados Unidos, do Reino Unido e da Holanda. Quando os bancos quebraram, em 2008, os cidadãos tam,bém quebraram.
O seguro desemprego na Islândia era e é ainda de apenas 3 meses. O poder aquisitivo da população se evaporou, de um lado. Mas por outro a desvalorização da moeda, além de favorecer o turismo, favoreceu também as exportações, como as de bacalhau, e também os contratos internacionais para os estaleiros do país. E a troca de governo, com os plebiscitos realizados na seqüência, impediram que os recursos públicos priorizassem o pagamento dos credores internacionais em detrimento do crédito interno. O resultado foi que, ao invés de mergulhar na depressão que assola o Reino Unido, a Irlanda e a Europa continental, a Islândia saiu paradoxalmente reforçada da crise, mostrando que na economia há mais labirintos e paradoxos do que pensam as vãs ortodoxias.
Um outro fator que provoca receio por aqui chama-se China. "Eles estão muito perto", me disse um dos comerciantes. O motivo não são apenas os turistas chineses. O "perto" se refere à Groenlândia. Interessados nos minérios da giagantesca ilha vizinha, os chineses estão investindo pesado nela. E também estão trazendo mão de obra especializada, que falta na Groenlândia.
Um outro receio chama-se União Européia. Em meio à crise, ainda em 2008, para negociar um empréstimo com o FMI, o então governo se propôs a pleitear a entrada definitiva na U. E. Hoje, com a perpetuação da crise no continente, a idéia desperta bem menos entusiasmo. Mas está pendente, como fio de espada, sobre o país.
Uma outra idéia pendente chama-se euro. Apesar de tudo, ainda há, no país, quem defenda que a Islândia abandone a krona e adote o euro - uma maneira mais fácil de atrair capitais do continente, sobretudo da Alemanha e da França. O euro valorizado ajudaria a encolher a dívida pública. Até o dia 8 de outubro de 2008 o euro era cotado a 130 kronas, mais ou menos. No dia 9 a cotação explodiu para 340. Depois de um tempo voltou a 305, e hoje um euro equivale, em média, a algo entre 145 e 160 kronas, dendendo do lugar onde se faça o câmbio.
Mas se a Islândia adotar o euro, ela perderá a soberania sobre a moeda. No presente momento nada aconselha esse passo, que pode ser alentador para o sistema financeiro privado no país, mas um desastre para os demais.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Islândia: uma lição de democracia à Europa 'austera'
Reykjavik, capital da Islândia, que promove investida importante contra os ditames neoliberais que dominam o continente europeu (Flavio Aguiar/arquivo pessoal)
Por Flávio Aguiar via Rede Brasil Atual
Numa Europa conturbada, onde os direitos da cidadania estão em refluxo, varridos pelo "dilúvio de austeridade", a Islândia, na suas bordas, está dando uma lição de democracia. Sem perder de vista a austeridade.
Por Flávio Aguiar via Rede Brasil Atual
Numa Europa conturbada, onde os direitos da cidadania estão em refluxo, varridos pelo "dilúvio de austeridade", a Islândia, na suas bordas, está dando uma lição de democracia. Sem perder de vista a austeridade.
No sábado passado (20), houve um referendo no país sobre a nova Constituição a ser adotada. Esse referendo foi ainda conseqüência da crise financeira de 2007/2008, e da situação política gerada desde então.
A
Islândia, com décadas de governos conservadores, adotou políticas
extremamente neoliberais no começo do século XXI. Para começar,
privatizou seu sistema bancário, predominantemente estatal até
então. Adotou impostos mínimos sobre o capital. Desregulamentou
inteiramente relações de trabalho.
Enfim,
uma festa. A menina dos olhos do capitalismo vitorioso na Guerra
Fria, herdeiro de Margareth Tatcher, da Escola de Chicago, um paraíso
fiscal sem ser no Caribe.
Enfim,
foi um desastre. Com a crise bancária e financeira nos Estados
Unidos, em 2007/2008, a Islândia foi o primeiro país a quebrar. Os
capitais, antes tão bem-vindos, evaporaram. Seus três bancos mais
importantes faliram. O desemprego se alastrou de maneira fulminante.
Pessoas dormiram no anoitecer de 8 de outubro de 2008 empregadas e
acordaram no dia 9 desempregadas, sem seguro desemprego, sem
seguridade social, sem nada. Muitas tiveram de deixar o país.
Ao
mesmo tempo em que o desemprego se alastrava, chegando a 10% em 2010,
também se alastrou uma gigantesca onda de protestos. Gigantesca:
vamos pôr em perspectiva. A Islândia tem 320 mil habitantes. Sem
preconceitos para qualquer dos lados, toda ela é do tamanho de
Vitória. Dois terços vivem na capital, Reykjavik, ou em seu
entorno. Mais ou menos como em Palmas, a menor capital estadual
brasileira.
Pois
num país com esse tamanho diminuto, multidões de 5, 6 mil pessoas
começaram a se reunir diante do Parlamento. E pessoas furiosas. Suas
poupanças tinham ido para o espaço, seus empréstimos bancários
para a estratosfera. Houve confrontos. Os manifestantes jogavam
pedras no Parlamento, e contra a polícia. Além de pedras, bolas de
neve...
A
polícia respondeu com gás pimenta e às vezes gás lacrimogênio.
Houve prisões e feridos, mas felizmente nenhuma vítima fatal.
No
empurra-empurra, o governo conservador, no poder há duas décadas
(do Partido Independente), caiu. Subiu uma coligação de esquerda,
com os Social-Democratas, os Verdes de Esquerda, e mais os Partidos
Progressista e Liberal. E as coisas começaram a mudar.
Sim,
o governo usou do socorro do FMI. Mas não sua cartilha. Plebiscitos
recusaram que os cidadãos pagassem as dívidas contraídas em seu
nome, mas sem seu consentimento. O caso está em pendência
internacional: Reino Unido e Holanda exigem que seus investidores nos
bancos islandeses sejam ressarcidos pelo país. O país se recusa.
O
novo governo reergueu o sistema de seguridade social. Nacionalizou os
bancos quebrados, renegociou as dívidas de pequenos e grandes
empreendedores, impediu que eclodisse aqui a quebradeira que está
devastando Espanha, Irlanda, Portugal, Grécia, Itália.
E
tomou uma medida originalíssima. Convocou uma Assembléia
Constituinte exclusiva, para revidar a Carta Magna do país, adotada
depois da independência, em 1944. Mil e duzentos escolhidos ao azar,
a partir das listas de eleitores, mais 300 representando setores
empresariais, de trabalhadores e outros grupos organizados. Dessa
assembleia saiu um fórum de 950 pessoas e um documento de 700
páginas que deveria balizar a nova Constituição. O passo seguinte
foi a escolha de 25 cidadãos, sem definição de partido, que
deveria redigir o anteprojeto de Constituição. Depois de um
processo de ampla consulta pela internet, esse Grupo de Trabalho
apresentou o anteprojeto ao Parlamento. E criou o referendo que no
sábado foi a voto, em torno de seis questões.
1)
Se a proposta apresentada deveria ser a base da Nova Constituição.
Sim, 66,3%, Não, 33,7%. (O Partido Independente, do antigo governo
conservador, pediu o "Não").
2)
Se os recursos naturais deveriam ser estatizados. Sim, 82,5%, Não,
17,5%.
3)
Se o Estado deveria ter uma religião oficial (no caso, a Luterana).
Sim, 57,5%, Não, 42,5%.
4)
Se deveria ser permitida a eleição de indivíduos sem partido para
o Parlamento. Sim, 77,9%, Não, 22,1%.
5)
Se o peso dos votos deveria ser igualmente distribuído pelo país.
Sim, 63,2%, Não, 36,8%.
6)
Se um grupo numericamente considerável de cidadãos deveria ter o
poder de pedir referendos. Sim, 72,2%, Não, 27,8%.
Compareceram
49% dos eleitores, 107.570 votantes. O número ficou abaixo do
esperado, mas foi considerado significativo para que o Parlamento o
leve em conta na futura votação definitiva da nova Constituição.
Enfim,
na contramão da Europa continental, houve nesta Islândia uma
pequena revolução antineoliberal. Que ninguém, na Velha Mídia,
brasileira e mundial, quer ouvir ou ver.
Ah,
sim, last but not least. Desde 2009 houve uma devassa no sistema
bancário e no antigo governo. O ex-primeiro ministro está preso,
acusado de negligência no poder. Executivos de colarinho branco
também.
A
Islândia se recuperou. Tinha moeda soberana, que foi desvalorizada
(ao contrário dos países encalacrados com o euro). O desemprego
caiu para 6% em 2012.
Até
o FMI (!) elogia a recuperação da Islândia.
Enquanto
isso, o restante da Europa continua agrilhoada à insensata "nau
da austeridade".
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